domingo, 25 de maio de 2014

Um café de conto








                             Era um café afastado da correria impaciente da cidade, fugere urbem, descanso das buzinas dos auto e móveis seres transeuntes da selva de pedra. Ali, entreolhados, estava o casal de namorados a saciar conversas junto ao aroma da psicotrópica cafeína. Filosofia e temas parecido ao "tu viu essa semana...", marginalizados do urbacentro tinham o ideal para um fim de tarde calmo, eram tons de voz fracos para não quebrar o enlace daquela paz versus os cappuccinos extra fortes, falam de futuro para o romance romântico cheio de realismo, uma dosagem de juras de amor e amor de juras, voavam com o pés no chão para assim dizer. Três meses se passaram "feito queijo", queriam viver mais cada momento e esperavam das melhores as intenções. Acostumados com o estresse da cidade viam naquele pedacinho deles uma oportunidade para conhecer mais um ao outro, a moeda de troca era olhares regrados a beijinhos com tons marrons de coração acelerado, causado pelos olhares, talvez, mas pelo efeito do estímulo do café, certamente. Poesia é um ingrediente para momentos como esse, entretanto ali só sentiam uma paz diferente da poética, faziam jus ao ato, sem distrato e consoante uma linguagem informal cheia de intimidades, dizia ele "que você é para toda uma vida", o feedback era um brilho no olhar sincero da menina de cabelos curtos, suas silhuetas gesticulavam carinho através da penumbra da luz de vela que havia entreposta a ambos. Naquela concórdia de sentidos e a sinestesia deveras, fugiam da razão e caminhavam para o ébrio e perigoso som do amor, sinfonia dos deuses, cupido até que perdia no preparo do ambiente cafedizíaco estabelecido por eles. Era amor, seguido de um beijo, aquele que você diz "me lasquei todinho", ricocheteava uma ótima impressão aos observantes, porém os mais observados eram os mesmos em si e ao todo, osculavam prazeres e sentiam a carícia do melhor beijo de suas vidas, até agora, eram amantes, amigos e pícaros. O café havia saído das xícaras e sistematizava pelos apaixonados organismos. Talvez esteja errado em afirmar se tratar de amor, poderia ser uma paixão que vem e passa como um resfriado, no entanto, seguiam firmes com as melhores intenções, a conta veio e a caixinha ficara na mesa entregue pelas mãos que agora estavam dadas a caminho da saída.  




quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O restante

Há dias que só lhe resta o escrever para tentar entender a si. Palavras tolas, diagramação ruim, pensamentos aéreos, essa gradação intolerante paira sobre nossas minha cabeça. Ela não me quer deixar se entender, não quer me dar cordas para eu ir andando e marchando feito um soldadinho movido por elas. O tempo. Ele voa, trás coisas boas e ruins de toda a eternidade para vir borbulhar na sua realidade e na sua mente. Escolhas. Nem sempre se faz a certa. Ou pelo menos adia a escolha certa... Ou, talvez, não! Enfim, a vontade de escrever passou. O que tava em mim de ser um livro é apenas breves palavras... porém, com vastos entendimentos. A realidade é um conjunto de oportunidades de escolhas, que não fazendo uma delas, acabas, talvez, fazendo nada do que imaginastes fazer. E é no abuso de escrever que eu percebo que devo escrever mais e dizer: Que o agora é o que deve ser vivido intensamente, me sinto orgulhoso de estar escrevendo, e o restante, é bonito e simples, como escrever.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Da efemeridade das coisas


"Percebo que a efemeridade da proximidade é tão tênue quanto a infinidade da distância." (Rafael Silveira)


A VIDA, ah a vida! Grande e sinuosa vida! Nos impõem seu trilho e ficamos a vagar por entre suas entranhas - certas e incertas - por onde decidimos o que queremos digerir. Como um relâmpago suas escolhas passam à velocidade da luz e nós experimentamos a efemeridade do tempo, trazendo coisas boas com o vento e com o vento as leva, assim também com as ruins, ao menos! 

Sonhos e realidade, aversão de imagens e sensações, nos mostram o fim da vida, o fim de um amor ou o começo do fim do mesmo que não ocorreu, pura frenesi, fim de papo, fim do dia, fim da noite, finda escolha, almejados pelo fim do fim, porém a busca humana é infinita, por momentos bons e alegres que carregam em si seus momentos ruins. Uma eterna luta, o homem o protagonista e a vida o palco!

Com a vida corrida, a explosão das informações que já nos informam que estamos desatualizados, a tecnologia pulsante que nos deixa para trás; O homem "evoluiu" para o desapego, para a plasticidade do momento, buscando através desses infinitos momentos, como um quebra cabeça, almejar a felicidade, nisso envolve pessoas diferentes, objetos diferentes, momentos diferentes. Houve o tempo onde as pessoas viviam uma toda vida, todos os momentos eram recordados e guardados na lembrança, fazendo engrandecer a vontade de passar mais tempo na mesma realidade. Hoje, o homem acelerou o tempo e não consegue acompanhar sua velocidade, imerso em suas angústias, do desapego, em suas inverdades e seus momentos felizes, puros momentos efêmeros que leva o mesmo a refletir sobre o que se sente agora e o que continua sentido, grande contradição. 

Viver é viver o mesmo momento infinitamente. O homem riscou essa frase do seu cotidiano.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Plasticidade da vida

Vivemos! Ora, vivemos! Mas como vivemos?


        Vivemos em uma época boa aos olhos de muitos, onde a facilidade das comunicações e do bem estar nos transformaram em seres mais interativos uns com os outros e atenciosos para o que se passa.
        Porém, toda essa parafernália acaba nos restringindo à nossa liberdade. E, de fato, vivemos em um mundo efêmero, baseado no "novo" acima do "um pouco velho". Queremos sempre mudar e ir atrás de novidade e de velocidade. Os restaurantes são fast foods, o consumo é desenfreado, produtos são feitos para durarem pouco, as notícias em segundos nos deixam desatualizados, a música não marca uma geração apenas uma semana, os amores duram até outra pessoa lhe abraçar logo ao lado dessa, enfim, vivemos escravos do tempo.
        Poderia ficar horas e horas exemplificando situações do cotidiano, mas acho mais interessante passar uma reflexão acerca: De que adianta transparecermos o local e nos globalizarmos se não somos capazes de aproveitar compassadamente essa liberdade?
          A revolução industrial nos trouxe algumas praticidades, no entanto, vivemos a mercê das imposições do "mercado", podemos dizer até que seja um chefe para todos, e que devemos obedecer fielmente. Concomitantemente, estamos vivendo em uma "sociedade de plástico", analogamente com o plástico que logo em breve é descartado para que outro venha substituí-lo. Acontece que como qualquer resíduo esses plásticos vão se acumulando e demoram até milhares de anos para desaparecem por completo. Assim acontece com a indústria do amor, onde podemos apenas chamar de indústria, pois o amor, deveras, está longe, onde crises de relacionamento afloram como tic tacs do relógio, segundos de impura amorosidade, é feito pela facilidade de consegui-lo, é um produto, um commodity, e atendendo a lei da oferta e da procura, quantos mais fácil e barato melhor de se achar e mais fácil de desprezar e descartar. 
        E uma crítica precisa de uma solução, com base nisso, digo que não há tanta coisa a ser feita, é uma questão pessoal, onde cada um deve tomar por base onde esteja pisando e ver onde todo esse "alvoroço" irá dar. Não se faz mais casais como antigamente, hoje queremos sempre estar um passo a frente e resolvermos nossos problemas freneticamente. A calma é uma breve solução e a reflexão uma constância dela. Estamos tão acostumados a viver a mesma situação diária com pessoas diferentes. Por que não vivermos com uma mesma pessoa diversas situações diárias? O que abrange troca de experiências e momentos saborosos da vida, ao invés de passar a vida procurando por isso e não achar?
        A sociedade impõe as regras e devemos seguir. Mas, pera aí, você também faz parte da sociedade, não acha que podemos mudar isso e impormos nossas vontades? Maioria? Você quer seguir a maioria? A maioria é cega e você tem apenas dois olhos. Vamos começar a reciclar o plástico! Cansei de escrever...